terça-feira, 3 de novembro de 2009
atlântico negro
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
síndrome do túnel do carpo
um pintor sem pincel
um carrossel sem cavalo
um cavalo sem crina
uma boca sem dente
uma mulher sem tesão
um homem sem ereção
uma bolsa sem mulher
uma feminista sem discurso
um hospital saudável
um artista sem arte
um cavaquinho sem corda
um pandeiro sem platinela
um sapato sem pé
uma cadeira sem bunda
água sem H
um químico sem laboratório
um livro sem caracteres
um compositor sem tempo livre
fafá de belém sem exagero
óculos sem olho
autor sem leitor
leitor sem CD
basquete sem bola
produtora sem cultura
jornalista sem jornal
chocolate sem desejo
asa-branca sem asa
oh! síndrome do túnel do carpo
as sessões de acupuntura te esperam
ao final, livrear-me-ei de ti
e todos os desencontros virarão encontros
assim voltarei de mansinho
pro meu violão e pro meu cavaquinho
domingo, 9 de agosto de 2009
Silêncios
O silêncio não é um pedaço de papelO dinheiro é um pedaço de papel
Silêncio para compor
Silêncio para adentrar no íntimo do ser
Silêncio, silêncio, silêncio
Antunes e Brown andaram procurando o silêncio original
(letra de Salomão Miranda, inspirada no ensaio Solidão, do livro O Vazio da Máquina, de André Cancian. Co referências à música O Silêncio, de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown)
sexta-feira, 5 de junho de 2009
PENTEIOS DE GATO - GRUPO MUSICAL PROMOVE DIVERSÃO E INTEGRAÇÃO NA RESIDÊNCIA UNIVERSITÁRIA DA UFAL
Triângulo, violões, zabumba, ganzá, caixa de som, microfone, cachaça e alegria. Estes são alguns dos ingredientes utilizados pelo grupo Penteios de Gato para divertir a Residência Universitária Alagoana (RUA), no centro de Maceió.Característica marcante do grupo Penteios de Gato é a descontração, a música vista não como meio para se ganhar dinheiro, mas como forma de reunião para descontração. As bebidas alcoólicas são integrantes assíduos dos ensaios da Penteios de Gato, e é aí onde entram algumas controvérsias. Adalberon Júnior reclama que o grupo musical da RUA não se preocupa com a poluição sonora. “As reuniões da Penteios de Gato às vezes ganha ares de perturbação da ordem. Eles já tocaram em locais onde as pessoas estavam estudando, e mesmo nos fins de semana já houve várias reclamações, devido ao volume alto do som do grupo. Isso se agrava devido ao consumo de bebidas alcoólicas, quando as pessoas perdem um pouco o senso de responsabilidade”, desabafou o residente.
Acesse um vídeo da Banda Penteios de Gato: http://www.youtube.com/watch?v=6UB81yMEB8gAcesse o blog da Banda Penteios de Gato: http://bandapenteiosdegatgato.blogspot.com/
sexta-feira, 29 de maio de 2009
a carne
Caros leitores,
seguindo meu intuito de publicar neste blog ao menos um texto por mês, é chegado o momento, no finzinho do segundo tempo, de escrever.
É... posso contar um pouco do que vivi neste tempo sem postagem.
Instalei o Linux Ubuntu no PC, e por causa dele atrasei minha vida virtual. O sistema é forte, seguro, leve e livre, mas para concorrer com o Windows ainda acho que há muito chão.
Este ano tomei como meta me aprofundar nos estudos do meu instrumento musical, o cavaquinho (ou cavaco, como queiram). Estou estudando com Wellington Pinheiro, um cara que até com Yamandu Costa já tocou. E pra tocar com Yamandu não é qualquer Chimbinha, viu? O método utilizado nas aulas tem sido a tablatura, para aumentar meu repertório "solístico". A tablatura funciona de uma maneira muito diferente da partitura, vez que nesta não há necessidade de se conhecer previamente a peça a ser executada. Não sei se existe uma tablatura padrão, com códigos específicos para indicar os elementos. É uma bom pretexto para uma pesquisa.
Continuo estudando Comunicação Social. Acredito que boa parte dos estudantes do curso tem uma mentalidade de ensino médio, por assim dizer. Isto porque não vejo muita movimentação na busca de extensão e pesquisa nem participação maciça nas lutas políticas ou filosóficas. Enfim, muitos não se sentem produtores de conhecimento, ainda estão no "esquema de escola, cinema, clube e televisão" (Renato Russo). Vejo pessoas conversando e olhando orkut e MSN durante as aulas. Vejo professores se degladiando, capricho de egos inflados. Vejo servidores técnicos desmotivados, sem sentido... E agora veio a chuva, alagando toda inércia daquele bloco. Será que acordaremos desta vez?
Comprei um livro intitulado O Vazio da Máquina, de Andŕe Cancian. O autor é de Catanduva, São Paulo. Ele mantém um site (ateus.net) com textos que acompanho desde minha adolescência. O Vazio da Máquina é um soco no estômago de quem se acha muito importante por ser gente.
O chorinho do Grupo Confraria Alagoana do Choro, no Orákulo, outra vez me surpreendeu. Se pudesse iria todos os sábados. Já dei uma canja lá, a convite do meu professor Wellington. O nível dos músicos é elevado. Eles tocam todos os sábados, há oito anos, caminhando para nove. Isso é que é sucesso! Mas infelizmente Maceió ainda não consegue ser um centro artístico de criação e divulgação. Por isso, as músicas tocadas pelo Confraria Alagoana do Choro são as distribuídas pelo eixo Rio-São Paulo.
Como neste texto há música e comunicação, mato dois coelhos numa cajadada só e o publico em meus dois blogs.
Sempre lembrando que “a carne mais barata do mercado é a carne negra” (Seu Jorge, Marcelo Yuca E Wilson Capellette)!
sexta-feira, 10 de abril de 2009
CAZUZA: UM CRIATIVO
A classificação indicativa do filme Cazuza – o tempo não pára afirma: “Inadequado para menores de 16 anos. Drogas, conflitos psicológicos atenuados e temática adulta atenuada.” Deve-se concordar com esta classificação indicativa, pois o filme o qual retrata uma parte da vida de Agenor de Miranda Araújo Neto (04/04/1958-07/07/1990) é capaz de mexer com qualquer pessoa. Pode-se assistir à película e sentir atração ou ojeriza – nos mais diversos graus – ao personagem-título do filme; mas ninguém é capaz de ficar indiferente ao conhecer as peripécias do, segundo o personagem Caetano Veloso, maior poeta de uma geração. Cazuza – o tempo não pára é um drama o qual tem a direção de Sandra Werneck e Walter Carvalho e atuações de Marieta Severo, Reginaldo Faria, Emílio de Mello e Daniel de Oliveira.
No presente texto pretende-se fazer uma correlação entre alguns capítulos de um livro e cenas e diálogos do filme. O livro é Criatividade e grupos criativos, de Domenico De Masi, editado pela Sextante.
Domenico De Masi, com base nas idéias do psicanalista Hillman, tenta responder à seguinte questão: “Quais são as idéias, as fantasias, as metáforas, os símbolos e as noções que temos da criatividade e dos criativos?” Diz ele: “Uma (...) idéia liga a criatividade à forma, à excelência, ao sucesso, e caracteriza o criativo na pessoa ambiciosa que subordina o interior e o privado ao exterior e ao público, ficando vítima da sua própria imagem mítica, da qual não pode mais fugir.” Percebemos isto no filme Cazuza na cena em que o personagem principal assusta-se com a própria fama, afirmando que está acontecendo tudo o que ele queria (“manchetes”, “aplausos”), e diz à sua mãe, Lucinha: “Tô sempre querendo alguma coisa... Se não tiver mais nada para querer... O quê que vai ser depois disso tudo?”
Em Criatividade e Grupos Criativos, recorrendo-se a um estudioso, profere-se o seguinte: “Murray escreveu que o criativo ‘deve experimentar um certo gosto pelo caos temporário’: o caos interior, devido ao turbilhão de idéias, dúvidas, exaltações e desencorajamentos; o caos exterior, devido às condições econômicas, aos relacionamentos interpessoais, aos conflitos da solidariedade; o caos da sorte e da desgraça, devido à alternância com que a natureza privilegia ou caprichosamente abandona os criativos”.
Este caos, este vaivém de que se fala é a tônica da vida do personagem Cazuza. Exemplos não faltam: cena em que o grupo de rock Barão Vermelho se impressiona com a performance de Cazuza; os constantes conflitos pessoais e profissionais devido ao fato de Cazuza não querer se subordinar a ninguém, nem ao grupo Barão Vermelho, nem aos pais, nem ao namorado; cena na qual Cazuza ameaça tocar fogo em gasolina próxima de seu corpo caso sua mãe não lhe dê um abraço; o Barão Vermelho pára de tocar porque Cazuza não está cantando corretamente; num ensaio do Barão, Cazuza insiste em ensaiar uma música do sambista Cartola, provocando divergências e posteriormente uma violenta discussão.
Há também o momento em que o cantor e compositor considerado um poeta da canção demonstra insatisfações em fazer parte de um grupo de rock e, após quebrar uma premiação referente a cem mil cópias vendidas do disco do Barão Vermelho, fala bem emotivamente a um amigo e colega de trabalho: “Aí é que tá Zeca, eu não sei se eu tô dizendo o que penso, cara... eu só sei que não tô dizendo o que quero. Eu gosto de bagunça, cara, bagunça! Eu gosto é de bagunçar! Eu quero é misturar, Zeca, misturar! Fazer coisa diferente, p...! Eu só acho que pra fazer do meu jeito... eu tenho que fazer sozinho, Zeca.”
Ainda existem exemplos do caos supracitado: o personagem Cazuza fala sobre a AIDS: “Essa doença é uma m...! Não querem que a gente seja feliz...!” E, após descobrir que tinha AIDS, o autor de “Ideologia” pensa no suicídio. Há a cena na qual o pai de Cazuza, João, diz que os amigos de seu filho não prestam. Prontamente, Cazuza rebate: “Nessa vida ninguém presta! Os meus amigos não prestam, eu não presto!... Você não presta.”
Em Cazuza – o tempo não pára temos a oportunidade de conhecer as canções de um dos maiores criativos da música brasileira. Canções estas as quais, diga-se de passagem, são carregadas de atitude e poesia.
É importante frisar que a criatividade do personagem Cazuza não estava limitada aos aspectos profissionais, estendendo-se à vida pessoal. Isto dá brecha para que se analise o filme com base em diversas teorias psicológicas, além do que foi aqui analisado. Prova disso é a euforia de Cazuza ao versar sobre o ato de cantar: “Cantando a gente inventa, inventa um romance, uma saudade, uma mentira. Cantando a gente faz história. Foi gritando que eu aprendi a cantar. Sem nenhum pudor, sem pecado. Canto pra espantar os demônios, pra juntar os amigos, pra sentir o mundo, pra seduzir a vida.”


