terça-feira, 13 de novembro de 2007

RELATÓRIO DO PROCESSO CRIATIVO

A tarefa que agora me proponho é tentar revelar o que se passou no meu corpo-mente quando do momento em que compus a música Conselho-clichê. Só pode ser um afazer prazeroso, visto que eu gosto bastante de música e de composição musical, a ponto de ser uma grande vontade minha a de me tornar músico e compositor profissionais.

Para um sujeito que ama a música, descobrir-me capaz de compor melodia, letra e harmonia e colocar um ritmo nisso tudo foi uma experiência orgástica, num sentido musical do termo. As coisas foram vindo mais ou menos ao mesmo tempo: eu ia tentando a melodia, escrevendo a letra e tocando a harmonia no cavaquinho.

O curioso é que descobri que se pode ter uma imensa alegria ao se fazer uma música. Uma alegria intensa, parecida com a que se tem quando apreciamos e nos sentimos tocados por alguma obra de arte. Eu diria mesmo que tive um orgasmo artístico durante a feitura de Conselho-clichê.

A letra diz respeito a um grupo de jovens de classe média de Garanhuns, Pernambuco. Mitinha, Rafael Gordo, Rafael Doido e companhia estudavam em um dos melhores colégios da cidade, uns com carro, outros com menos dinheiro, mas com algumas características em comum: pouca afeição pelos estudos e alienação social, para ser sucinto.

Como a letra da música é um conselho, e levando em consideração que muitos adolescentes não são afeitos a conselhos, fiz questão logo no início de me igualar à pessoa/grupo a quem me referia. Isto para tentar uma perspectiva horizontal de diálogo. (Menino / Sou igual a você)
Dentre tantos outros atos reprováveis, os meninos da letra usavam de artifícios antiéticos para tentar se dar bem nas provas do colégio. Pensando também nisto veio: Faz isso não / Isso machuca / Você também tem cuca / Mas o afinador é digital.

Menino / Eu cresci com você / Já é indelével / O amor ninguém vai tirar. Por Garanhuns ser relativamente pequena, estudei e por vezes convivi com pessoas do grupo a quem me refiro. Portanto, é verdade quando digo: Eu cresci com você.

Depois vou dizendo o “porém” das coisas: Mas olha só / Libertinagem / Tem gente de carruagem / A vida é muito mais. Aí afirmo que a despeito de todo um aparato mecânico, eletrônico, diversional e educacional (carro, moto, DVD, viagem, casa de praia, colégio particular, etc.) que alguns jovens possuíam estava sendo aproveitado de maneira fútil e sem se ter consciência do privilégio social, ignorando um mundo onde ainda temos pessoas sem condições dignas de se viver.

Por fim reafirmo minha tentativa de ser horizontal no monólogo e arremato fazendo um pedido para que os jovens dêem valor às coisas recebidas, que criem consciência de suas benesses e as aproveitem de maneira frutífera. (Não pense que é presunção / É só um conselho-clichê / Desculpe aí meu irmão / Não bote tudo a perder)

Destaco que o interessante de ter composto Conselho-clichê foi o fato de tudo ter vindo mais ou menos ao mesmo tempo: melodia, harmonia, ritmo e letra. É verdade que a música carece de um arranjo, o que pode causar mais indiferença por parte de quem ouve. Entretanto, é no estado bruto em que Conselho-clichê se encontra que descubro minha capacidade de ser um compositor.

Segue a letra:

CONSELHO-CLICHÊ

MENINO
SOU IGUAL A VOCÊ
SOU CHAMADO BURGUÊS
POR QUEM NÃO SABE MUITO

FAZ ISSO NÃO
ISSO MACHUCA
VOCÊ TAMBÉM TEM CUCA
MAS O AFINADOR É DIGITAL

MENINO
EU CRESCI COM VOCÊ
JÁ É INDELÉVEL
O AMOR NINGUÉM VAI TIRAR

MAS OLHA SÓ
LIBERTINAGEM
TEM GENTE DE CARRUAGEM
A VIDA É MUITO MAIS

NÃO PENSE QUE É PRESUNÇÃO
É SÓ UM CONSELHO-CLICHÊ
DESCULPE AÍ MEU IRMÃO
NÃO BOTE TUDO A PERDER

4 Comentários.:

Estêvão dos Anjos disse...

bem..resta-nos ouvir.

tenta gravar pow num mp3 e passae para o blog. e caso não consiga fazer isso depois eu cobro e tu toca...a proposito ja q não nos falamos msm pessoalmente dia 2 o pessoal da sala vem pra ca almoçar apareça. blz?

falou e depois bota mais letras tuas ai par gente conhece. to ligado q tu tem.

wlmarinho disse...

salompas, eita porra gostei da letra, mas eu sou burguês mrmo num vou mintir, hahahahahha...

além disso sou um cara viajado, ahhahahahha...


mermao teus txtos sao massa, mas soh li metade, muito longos...:p
sabe neh, agitaçao, internet pressa, hahahahhha...that´s it!



e essa foto ae em, isso eh exposiçao da figura vum, hahahahhaha...


inté nesse absurdo q eh a vida!

Maria cookie disse...

Ah, preciso ver tuas músicas!
Eu amooo músicaaa, cara! Quando ME formar, vou montar minha banda e cair na estrada!
Rock On the road!!!
hUHUHUHUHHHUH

Mas se vc compõe um sambinha ou uma bossa (ou mesmo um "popzinho" legal), tb aceito ouvir!
=*

wanessa disse...

caramba...ficou muito massa. A idéia clichê ficou tãoo original :D

agora, eu queria ouvir!!!