segunda-feira, 12 de maio de 2008

PROTECIONISMO CULTURAL

Muito se fala que os pernambucanos valorizam a cultura, investindo em grandes eventos, apoiando os talentos locais e promovendo uma boa divulgação nacional. Reclama-se que o estado de Alagoas peca neste assunto, não valorizando suas raízes culturais e absorvendo de forma maciça o que vem de fora das terras caetés.

E isto parece ser verdade. Só para citar alguns exemplos: o Museu Théo Brandão exibe, num de seus corredores, uma coleção de cerâmica figurativa do México (!); o coral que “abriu” a aula-espetáculo de Ariano Suassuna, no Centro de Convenções, cantou a música “A feira de Caruaru” (!!); o Caderno B, da Gazeta de Alagoas, maior jornal em circulação do estado, traz uma grande quantidade de matérias com filmes internacionais e artistas de outros estados, como num dia desses, quando foi publicada uma matéria sobre Adriana Calcanhotto, artista que nem está entre as atrações do roteiro cultural de Alagoas.

Os interessados pelos rumos da cultura local precisam ter a noção de protecionismo cultural, que consiste em proteger a arte de Alagoas, para que ela tenha estímulos de criação e maior potencial de divulgação nacional e internacionalmente. Não se trata de desvalorizar o que é produzido em outras paragens, mas de proteger os artistas locais, a fim de dar mais condições de trabalho a estes que são responsáveis em grande medida pelo potencial turístico alagoano, dentre tantos outros benefícios aos alagoanos.

13 Comentários.:

Da(ei)vid disse...

Você que trabalha com isso, deve saber que tem coisas na cultura alagoana a se admirar.

Estêvão dos Anjos disse...

"uma coleção de cerâmica figurativa do México (!); o coral que “abriu” a aula-espetáculo de Ariano Suassuna, no Centro de Convenções, cantou a música “A feira de Caruaru” (!!); o Caderno B, da Gazeta de Alagoas, maior jornal em circulação do estado, traz uma grande quantidade de matérias com filmes internacionais"

1- n precisam ir tão longe, o que n faltam nos interiores são produções deste tipo de artesanto.mas preferem dar espaço para os mexicanos ¬¬

2- Não sei qual foi o coral que cantou, mas se falando em coral daqui temos o Coretfal que ta com um espetáculo sobre o Rio São FRANCISCO. mas se falando em feira tem u mdocumentario sobre a ÚLTIMA FEIRA de Arapiraca q achei legal q so.

3- tbm acho foda isso do cimena, aki em Alagoas, eu q n tenho quase nenhum contanto, sei que tem tres filmes sendo rodados e eles preferem falar dos de fora. o primeiro é o doc do Rafhael que estudava com a gente. o segundo é do Pedro Onofre que uma amiga minha ta no elenco e outro, esse eu ouvi um cara que ta no elenco conversando em uam fila com uma amiga e comentou, é um filme sobre o Homem da Capa Preta. uma lenda daqui :p

3- sem falar nos diversos espetáculos de teatro que fazem e que ngm faz materia ( se bem q akele q a gente viu no sesi era uma merda)


só to falando isso para reforçar o que vc diz no texto, realmente falta isso que vc falou, uma valorização das produções locais nas midias daki. bem podeira falar q so a gota disso aki mas n é espaço, eu acho, a gente conversa isso pessoalmente se quiseres.
gostei do post!
abraço

Julio Fonseca disse...

Adorei seu post!

Pessoal, essa eu tenho que recomendar, dois sites interessantíssimos: www.meus3desejos.com.br e www.videoflix.com.br.

Abs.

Anônimo disse...

Não sou alagoana vc bem sabe, o meu estado acredito ser o que tem maior diversidade cultural do Brasil, existe um lado negativo dessa diversidade, nos não temos uma identidade cultural. Quando conheci as manifestações culturais de Alagoas me encantei, pois são mais de 25 tipos de folguedos e danças, o artesanato é excepcional, além da culinária, etc. Isto representa a identidade, a história, a cultural de um povo, isso infelizmente não vivenciei em SP. Concordo com vc quando diz que a cultura local deveria ser mais valorizada e digo mais divulgada. Alagoas tem uma beleza natural própria e tem potencial turistico e cultural, mas não há investimento efetivo.

Daiane

homero baco disse...

Salomão, entendendo cultura como manifestação espontânea de um determinado agrupamento social, seja para demonstrar sua realidade e manter a identificação com seus pares, está quase extinta, seja aqui ou em Pernambuco.

Mas, se for pra discutir cultura como uma fatia de "bolo do turismo", tudo bem. Realmente, Pernambuco sabe se apropriar de maneira mais qualificada do "mercado cultural". Alagoas privilegiou o turismo natural e a batata quente ficou nas mãos dos pontos de cultura.

Resumindo: Alagoas têm Cultura pra dar e vender, literalmente. Agora, isso é de interesse dos governos e mídias coronelista? Não. Pq? Bom, isso já conversamos pessoalmente várias vezes.

Provocação pertinente essa sua!!

Anônimo disse...

Para tecer comentário sobre Protecionismo Cultural em Alagoas, eu precisaria de conhecimento de causa, e isso eu não tenho. Só me resta especular sobre as causas desse DESINTERESSE e DESVALORIZAÇÃO da cultura alagoana em sua própria casa, bela casa. E tal especulação ganha caráter de assertiva quando se vê, mesmo em meios acadêmicos, onde (dizem) se têm maior acesso a cultura,tal quadro.

Tal profundidade em estudo deve ter HOMERO BACO, que falou logo acima , com tanta propriedade sobre a cultura pernambucana (gostaria que ele dissesse sobre o que ele leu, pra escrever isso...que comunidades ele visitou, enfim...relatórios Homero, please!PQ DA ÚLTIMA VEZ QUE CONVERSAMOS SOBRE CULTURA ALAGOANA E PERNAMBUCANA, ELE DISSE QUE O FREVO NÃO NASCEU EM RECIFE...FAÇA-ME O FAVOR!E nasceu onde? em Bangladesh?)
Cultura em Pernambuco, caro Homero, não é apenas mercado cultural, é sentimento acima de tudo, é orgulho.Vai saber disso dos pernambucanos...o que eles sentem quando ouvem as primeiras notas de Vassourinhas, um de nossos frevos mais tradicionais, só pra citar um exemplo dentre tantos outros.

Obviamente que Alagoas tem cultura pra dar e vender,e é uma terra de muitas belezas... FALTA A TAL LEI DE INCENTIVO A CULTURA se efetivar no estado...(problema de lei é tudo efetivação)mas, é só a lei? por trás da lei tem a vontade política...mas, é só vontade política?...
O fator APATIA da maioria dos alagoanos sobre o tema,também chama bastante atenção... é lamentável, eu que nao sou alagoana, ter que mostrar as músicas de WADO, (tenho todos os cd's dele e escuto com certa frequência) aos estudantes de Direito e Filosofia da UFAL!.E ter que dar opinião sobre qual música deveria ser executada na formatura da turma de Serviço Social da UFAL (sugeri Lilás, do Djavan - Adoro!- no lugar de Umbrella - nem sei se escreve assim, pois era essa última que a turma queria executar...), sem falar do lugar onde moramos (R.U.A.), onde a invasão de sons alienígenas é gritante...
Enfim, a explicação para ausência de tal protecionismo é constituída por um emaranhado de elementos que estão inter-relacionados e merecem, atenção de estudo mais amplo e aprofundado (isso é um rico caldeirão antropológico, político, econômico... ninguém invente de pegar que já registrei em cartório, a pesquisa é minha... sem pretensão de esgotar o tema).
Ísis

homero baco disse...

Não tenho problema com provocação. Infelizmente tenho visto muito pouco a senhora, dona Isis, e terei q responder aqui mesmo. Vamos lá:

Minha cara, me desculpe se não citei bibliografia. Esse foi um comentário amistoso, sem o menor interesse de ofender esse sentimento, digamos, "ultra pernambucano". Pensei estar num espaço livre do rigor acadêmico, mas se é assim, estou encerrando minha carreira de "blog comentarista", esfim...

Naum sem antes responder seu "ufano comentário". Minha base para a o comentário, foi tão empírica quanto a sua. Não sou teórico, mas sempre gostei desse assunto, seu namorado, dono do blog, sabe disso. Iclusive pensamos em fazer uma pesquisa sobre isso que acabou não rolando.
Agora sei q naum posso mais fazer isso no futuro pq o tema já e seu né??

Eu adoro a música e a cultura pernambucana, concordo com vc q a resposta naum está só nisso ou naquilo, mas naum concordo q seja pq pernambucucano é apaixnonado pela sua cultura e o alagoano disconhece a sua.

E como eu disse antes: a provocação é pertinente

Ísis disse...

Ora, por favor, Homerito... encerrar carreira de comentárista de blog, definitivamente não foi e nem é a minha intenção...Cultura pra mim, é um tema de interesse bastante pessoal, gosto muito mesmo.(vou até pedir tua ajuda pra escrever algo sobre o tema...se tu num fizer cara feia...pode até rolar parceria já que salomão nao quer...)

Bom, e só uma observaçãozinha, bem inha mesmo...não disse que todos os alagoanos desconhecem a sua, só pra que fique bem claro.Mas a grande parte dos alagoanos que convivo em Maceió, tanto na RUA, como na UFAL é apática quanto ao tema, mas temos honrosos exemplos de interesse e conhecimento...vc e o Estevão , por exemplo, que postaram aqui.

Abraços fraternos pernambucanos!

Anônimo disse...

Esse povo...
A discussão era sobre a falta de incentivo e divulgação da cultura alagoana, em todos os estados brasileiros existem particularidades culturais, seja em Pernambuco ou Alagoas, em cada lugar de acordo motivos políticos, econômicos ou sociais , as manifestações culturais podem ou não ser divulgadas e incentivadas. Na minha opinião questão que Salomão propôs era: o porque não se divulga a cultura alagoana e se importa de outros lugares, já que aqui tem várias manifestações culturais?
Meu amigo não quis ofender alagoanos e exaltar a cultura pernambucana.

D

O manancial do meu deserto disse...

Você como um alagoano
ta me saindo um ótimo pernambucano
kkkkkkkkkkkkkk

mas vc está certo
a produção cultural daqui á esvaziada
não tem apoio
não tem que goste
e vivem de shows que nem sabemos
quando e onde

só espero que um dia isso mude

add nos meus hein
super bjus

---> Donnatella <---

Rafael Luna disse...

Normalmente se defende o que se acha bom, o que vale à pena mesmo. às vezes o que estão defendendo nem é lá essas coisas para outras pessoas mas a defesa é tanta que atrai,se conhece e vai se valorizando..to contigo meu amigo! abraçao

Suzana Maria disse...

Nossa, como isso aqui tá bom!
Sou pernambucana e cresci com esse sentimento de valorização da própria cultura. Realmente o que há em PE é mais incentivo e protecionismo cultural. Acredito que não é questão de excluir outras culturas, mas de aprender a valorizar a sua primeiramente. Estou em Alagoas há um ano, conheci coisas boas aqui, mas infelizmente não encontrei tantas pessoas as valorizando como aconteceria em Pernambuco. E indo mais além da questão "música local", fico chocada quando vejo um show de Babado Novo lotar e shows de bandas locais ou mesmo muitas bandas boas de fora não "acontecerem" por falta de público.

Saudações "pernambuco-alagoanas"!!

Janine disse...

só comentar pq o texto é do dia do meu anisvesrsrsário....rsrsrsrsrs