domingo, 31 de janeiro de 2010

Spok Frevo Orquestra

A Spok Frevo Orquestra apresentou-se no VII Baile dos Seresteiros da Pitanguinha, no Centro de Convenções de Maceió. A orquestra tocou numa formação com cantor, cantora e passistas, diferentemente de quando se apresenta em teatros e festivais de música, onde os músicos tocam sentados e a platéia presta atenção a eles, esquecendo-se da dança.

Fiquei surpreso quando Spok falou sobre o prazer de tocar em Maceió, que é a "terra de João Lyra, Dida Lyra e Everaldo Borges". Este último eu conheço pessoalmente e cada vez mais fico convencido de sua grandiosidade. Aliás, Alagoas tem músicos de altíssimo nível como é o caso do citado Everaldo Borges (saxofone e outros instrumentos de sopro), Wellington Pinheiro (cavaquinho, violão, bandolim e o que mais der a ele) e Wilbert Fialho (violão). Isto só para citar os que já tive o prazer de tocar junto ou de ouvir ao vivo.

Mas a minha intenção ao escrever este texto é falar sobre a Spok Frevo Orquestra. Já a conhecia do carnaval do Recife e através de citações de Zeca Baleiro (que em Recife pediu perdão a Spok por tocar um frevo) e Moraes Moreira (que compôs uma música intitulada "Spok frevo spok"). Entretanto, por ocasião do Baile de Máscaras dos Seresteiros da Pitanguinha, tive a imensa felicidade de observar atentamente a orquestra e sentir o peso de todos aqueles metais no palco.

Mesmo tocando um repertório muito popular, devido ao caráter festivo e dançante do evento, percebi o jazz que há no frevo da orquestra de Spok. Prestei atenção no baixo e na guitarra. O swing jazzístico estava ali. A guitarra, um belíssimo exemplar acústico, imprimia muitos acordes em curtos intervalos de tempo. Mesmo não sendo um bom conhecedor de jazz, meus registros de memória musical apontaram para a percepção do ritmo americano presente naqueles frevos executados pela orquestra.

No vídeo abaixo, o frevo Passo de Anjo. Note, caro leitor, que neste a formação da orquestra é puramente instrumental, a que o próprio Spok gosta mais. Aliás, ele está sendo o responsável por retirar o rótulo de música de carnaval que o frevo tem. Frevo é para se ouvir o ano inteiro. Spok que o diga!


obs.: legenda foto: Eu e Spok antes da Orquestra começar a tocar / crédito: Ísis de Cássia Santos