sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Não se nasce artista

Não se nasce artista. A vida foi sendo construída. Desde antes de nascer não me lembro de quem eu era. Nasci. Brinquei no meio da rua. Sofri. Vida que vai passando. Sons e outras alegrias. Sons e outras tristezas. Ser artista é nascer de novo. É perceber o mundo todo como um brinquedo de viver. É sofrer com a não vida, com o não comer, com o não trabalhar, com o não morar. Acordar e ouvir um Zé, um Wado, um Skylab.

O quanto de liberdade vão negar ao artista? Não, não, não! Não deram fim à censura em 85. Democracia é a ditadura da maioria: burra, irreflexiva, passiva, murcha. Televisão para alimentar os cansados. Para fazer companhia na rodoviária, no consultório, no bar. Tanto álcool. Tanta gente. Sede de tudo e de nada. Lixo, muito lixo. Márcia Tiburi, minha amiga, me ajude!

Ditadura econômica, ditadura de verbo, ditadura de beleza, ditadura de tecnologia. Não conseguimos viver sem ditadura. A liberdade é o nosso maior medo. E o que perseguimos? Esperança, felicidade, juventude eterna? Tudo o que não existe. O que existe é ilusão. Quero dançar com a solidão ouvindo um Zeca Baleiro dos bons!

Afinal de contas, o que é ser artista?



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